A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), entrou definitivamente na mira do bolsonarismo raiz. Aliados do ex-presidente acusam a gestora de ter se beneficiado diretamente do capital político de Jair Bolsonaro em 2024 e, agora, adotar um comportamento ambíguo, evitando assumir publicamente um palanque claro para 2026. Nos bastidores, a avaliação das principais lideranças é de que ela estaria postergando uma definição que interessa diretamente ao eleitorado que a elegeu.
A irritação aumentou após declarações contraditórias da prefeita sobre a composição da chapa majoritária. Em um primeiro momento, Emília foi taxativa ao afirmar que havia duas vagas para o Senado e que uma delas, “com certeza”, seria ocupada por Rodrigo Valadares, chegando a ironizar a possibilidade de um segundo nome. A fala foi lida como uma decisão pessoal e gerou incômodo interno, especialmente entre aliados que também disputam espaço e que enxergaram ali uma postura centralizadora.
Pouco tempo depois, porém, o discurso mudou radicalmente. A mesma prefeita passou a defender que o grupo político teria se ampliado, incorporado novos partidos e lideranças, e que nenhuma decisão poderia ser tomada de forma individual. O vai e vem reforçou a narrativa de que Emília prefere permanecer “em cima do muro” a assumir riscos políticos.
Foi nesse contexto que lideranças da direita, entre elas Flávio da Direita Sergipana, passaram a cobrar coerência, segundo a Revista Realce. O argumento é que, em 2024, quando precisou vencer a eleição em Aracaju, Emília não hesitou em recorrer ao apoio explícito de Jair Bolsonaro, que gravou vídeo, mobilizou a base e ajudou a consolidar sua vitória. Agora, com a proximidade de 2026, os bolsonaristas exigem reciprocidade. Para esse grupo, não há mais espaço para jogo duplo, ou a prefeita assume de vez o projeto bolsonarista em Sergipe, ou passará a carregar o desgaste de quem usou a bandeira alheia apenas quando lhe foi conveniente.
