Luta histórica de seu mandato, Rogério sai em defesa do Samu e alerta contra uso de recursos da saúde para os Bombeiros

O senador Rogério Carvalho (PT) voltou a defender uma das principais bandeiras de sua trajetória na saúde pública brasileira: o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Durante debate no Plenário do Senado Federal sobre o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 18/2021, nesta semana, o parlamentar criticou a proposta que autoriza a utilização de recursos de emendas parlamentares destinados à saúde para financiar o atendimento pré-hospitalar realizado pelos Corpos de Bombeiros Militares, afirmando que a medida pode comprometer o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Médico sanitarista e um dos responsáveis pela criação e implantação do Samu em Sergipe, Rogério relembrou sua atuação à frente da saúde pública, destacando que Aracaju foi a primeira capital do país a implantar o serviço e que Sergipe se tornou o primeiro estado brasileiro a contar com cobertura estadual do Samu. “Foi uma política que revolucionou o atendimento de urgência no país”, afirmou. O senador também ressaltou que, após a implantação do serviço em Sergipe, a mortalidade nas primeiras 48 horas após ocorrências de urgência caiu 10%, resultado que atribuiu ao atendimento rápido e especializado.

Ao justificar sua posição contrária ao projeto, Rogério defendeu que, embora o trabalho desempenhado pelos Corpos de Bombeiros seja essencial, ele deve ser financiado por fontes orçamentárias próprias. “O Corpo de Bombeiros presta atendimento às vítimas, mas isso não se caracteriza como atendimento de saúde. Vamos ajudar o Corpo de Bombeiros, mas não pelo caminho da saúde. Isso é um equívoco”, declarou. Para o senador, retirar recursos do SUS representa o início de um processo de enfraquecimento de políticas públicas consolidadas ao longo das últimas décadas.

Durante o discurso, Rogério também alertou que o financiamento da saúde pública garante serviços essenciais como cirurgias, tratamento de câncer, vacinação, atendimento de urgência e programas como o Saúde da Família. “Retirar dinheiro da saúde para fazer uma disputa ideológica é inaceitável. Eu não vou abrir mão da minha história nem da história de milhares de trabalhadores da saúde pública brasileira”, afirmou. O parlamentar ainda declarou apoio à emenda apresentada pela senadora Teresa Leitão (PT-PE), que busca impedir a utilização de recursos da saúde para custear ações dos Corpos de Bombeiros, defendendo a preservação integral do financiamento destinado ao SUS e ao Samu.

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